Cafés Históricos de Turim

Os cafés históricos de Turim

Em Turim há cafés em que vale a pena entrar só para olhar em volta. Atrás das vitrines vocês encontram espelhos, boiseries, balcões de mármore, estuques dourados e lustres que contam mais de dois séculos de vida da cidade. Muitos dos móveis ainda são os originais ou conservam as decorações do século XIX.

Naquelas mesinhas sentaram-se aristocratas, políticos, escritores e artistas. Durante o Risorgimento, e depois nos anos em que Turim foi a primeira capital do Reino da Itália, os cafés eram lugares onde as pessoas se encontravam, discutiam e faziam política. Hoje vocês podem acrescentar à visita algumas especialidades turinesas: um bicerin, um gianduiotto, um sorvete de gianduia ou um tramezzino.

O percurso atravessa sobretudo o centro histórico, de via Po a piazza Castello, do Quadrilatero Romano a piazza San Carlo, para terminar no corso Vittorio Emanuele II. De Colazione da Augusta vocês podem chegar a via Po a pé, atravessando a ponte Vittorio Emanuele I e a piazza Vittorio Veneto.

Contem com pelo menos meio dia e escolham dois ou três cafés para parar com calma. Não é preciso consumir em todos: as vitrines e os interiores já merecem a visita. Antes de sair, verifiquem as eventuais condições de acesso aos estabelecimentos.

A pé Caminhada: 6,1 km, 1 h 32 min

  1. Caffè Fiorio

    Caffè Fiorio

    Sob os pórticos da via Po, no Fiorio vocês podem parar diante do balcão de mármore ou acomodar-se entre espelhos e poltronas de veludo. A decoração conta o passado do local, aberto em 1780 e por muito tempo ponto de encontro da nobreza saboiana.

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    Chamavam-no «caffè dei codini» (o café dos rabichos), pelos penteados e pelas roupas tradicionais dos seus frequentadores, mas também «caffè dei Machiavelli», pelas discussões políticas. Inicialmente ligado aos ambientes aristocráticos e conservadores, tornou-se depois um lugar de encontro de intelectuais e protagonistas do Risorgimento, entre eles Cavour, Rattazzi e Massimo d'Azeglio.

    Há também um motivo mais guloso para entrar: a sorveteria, conhecida sobretudo pelo sorvete de gianduia, uma especialidade da tradição turinesa.

  2. Caffè Baratti & Milano

    Caffè Baratti & Milano

    Na entrada da Galleria Subalpina, na esquina com a piazza Castello, o Baratti & Milano convida a olhar em volta antes mesmo de pedir: mármores, espelhos, madeiras marchetadas, bronzes e estuques dourados. Também na fachada voltada para a praça há relevos em bronze que merecem um olhar.

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    Por trás desse nome estão Ferdinando Baratti e Edoardo Milano, dois confeiteiros do Canavese que abriram a atividade em 1858 na via Dora Grossa, hoje via Garibaldi, e se transferiram para cá em 1875.

    O estabelecimento tornou-se fornecedor da Casa Real e ponto de encontro da sociedade turinense. Uma parte das decorações remonta à ampliação concluída em 1911, com projeto de Giulio Casanova e a colaboração do escultor Edoardo Rubino.

    Entre os frequentadores do Baratti & Milano lembram-se Giovanni Giolitti e Luigi Einaudi. Também Guido Gozzano tem um vínculo com o lugar: as suas frequentadoras lhe inspiraram o poema «Le golose».

    Entre políticos, escritores e clientes da sociedade turinense, este era um lugar em que o encontro contava tanto quanto o que era servido. E lendo os versos de Gozzano dá vontade de imaginar aquela vida de café, feita não só de grandes discussões, mas também de pequenos ritos cotidianos.

  3. Caffè Mulassano

    Caffè Mulassano

    O Mulassano é pequeno, realmente pequeno. Sob os pórticos da piazza Castello, entre madeiras, espelhos e detalhes Art Nouveau, surpreende quanta história está concentrada em tão pouco espaço.

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    Amilcare Mulassano, proprietário da destilaria Sacco, conhecida pelo xarope de menta, transferiu para cá a atividade da via Nizza em 1907. O mobiliário foi projetado pelo engenheiro Antonio Vandone di Cortemilia.

    Por volta de 1925 o café passou a Angela Demichelis e Onorino Nebiolo, piemonteses que voltaram dos Estados Unidos com novos hábitos alimentares. Primeiro introduziram os toasts, depois os pequenos sanduíches de pão branco não tostado, com recheio abundante: os tramezzini. O nome é tradicionalmente atribuído a Gabriele d'Annunzio, embora não exista uma confirmação documentada certa.

  4. O bicerin

    Caffè confetteria Al Bicerin

    Um local pequeno, as mesinhas de mármore branco, os espelhos, a madeira e o balcão: ao entrar no Al Bicerin parece que se está numa chocolateria do século XIX. Vocês estão na piazza della Consolata, diante do santuário, no Quadrilatero Romano. Giuseppe Dentis abriu aqui o café em 1763.

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    O nome vem de «bicerin», «copinho» em piemontês: café, chocolate e creme de leite numa bebida quente, sem álcool, servida em copos transparentes.

    As dimensões do local permaneceram recolhidas, e a relação com a praça e o santuário se percebe também do interior. O mobiliário histórico ainda permite entender como eram organizadas as antigas chocolaterias turinenses.

    Entre os frequentadores históricos do lugar estiveram Camillo Benso, conde de Cavour, e o escritor Alexandre Dumas pai.

    Ao bicerin é frequentemente associado também Ernest Hemingway. Segundo uma tradição, ele teria incluído a bebida entre as cem coisas a salvar no mundo. A frase ainda circula, mas não foi encontrada uma fonte original que confirme a sua autenticidade. Tomem-na, portanto, pelo que é: uma anedota ligada à fama do bicerin, não uma citação certa do escritor.

  5. Caffè San Carlo

    Caffè San Carlo

    No Caffè San Carlo é natural erguer os olhos. Há grandes lustres, estuques dourados, mármores policromados, estátuas e, sobretudo, colunas e nichos com figuras femininas de gosto clássico. O aspecto atual é fruto de várias intervenções, incluindo as restaurações após os graves danos sofridos durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial.

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    Do lado de fora estão os pórticos do Palazzo Turinetti, do século XVII, voltados para a piazza San Carlo. Nascido nas primeiras décadas do século XIX, o café tornou-se ponto de encontro de intelectuais e patriotas do Risorgimento, sobretudo reformistas e políticos como Cavour e Massimo d'Azeglio, diferentemente dos locais mais aristocráticos e conservadores.

    Mais tarde, frequentaram-no também Giovanni Giolitti e Luigi Einaudi. O San Carlo é conhecido ainda pelos seus blends de café.

  6. Stratta

    Caffè Confetteria Stratta

    Antes mesmo de entrar na Stratta, há a placa com os seus detalhes dourados. Depois vêm as vitrines, as madeiras trabalhadas, os espelhos, os estuques e os lustres de vidro: o gosto das confeitarias do século XIX ainda está lá.

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    A loja abriu na piazza San Carlo em 1836, quando a firma Reina e Stratta iniciou a atividade de pastelaria e confeitaria. Em 1858 a condução passou aos irmãos Stratta.

    Tornada uma referência para a burguesia e a nobreza turinesas, a loja obteve também o reconhecimento de fornecedora da Casa Real. Entre os produtos vocês encontram doces, chocolate, balas, confeitos e outras especialidades da tradição da cidade.

    No século XIX, não se ia à Stratta somente pelos doces. A confeitaria oferecia também vinhos selecionados e licores, dirigindo-se à clientela da sociedade turinesa que frequentava a piazza San Carlo.

    Ainda hoje as vitrines e o mobiliário conservam aquela atenção particular à apresentação dos produtos. É um modo diferente de viver o café histórico, mais próximo da loja elegante do que dos grandes salões de encontro. E justamente por isso vale a pena entrar para dar uma olhada.

  7. Caffè Torino

    Caffè Torino

    Antes de entrar no Caffè Torino, olhem para o chão: no calçamento diante do local há um pequeno touro de latão, ligado a uma tradição de boa sorte muito conhecida na cidade. As vitrines e o mobiliário externo também contribuem para o caráter histórico do café.

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    O Torino abriu em 1903 perto da igreja de San Carlo. Em 1934, durante a transformação da via Roma, transferiu-se para sob estes pórticos da piazza San Carlo.

    Dentro, mármores, espelhos, lareiras, estuques dourados e grandes lustres remetem ao gosto do barroco piemontês. Foi nesses ambientes que o café se tornou um dos lugares de encontro da sociedade turinesa do século XX.

    Luigi Einaudi e Erminio Macario figuram entre os frequentadores do Torino: política e espetáculo compartilharam este endereço.

    Ao lado da cafeteria e da confeitaria, vocês encontram também a tradição do chocolate turinês, com gianduiotti e outros bombons. É um local nascido no século XX, mais recente do que os cafés setecentistas do percurso, embora a decoração se inspire em modelos decorativos bem mais antigos. Um contraste que se percebe bem ao entrar nos salões.

  8. Caffè Platti

    Caffè Platti

    Chegando à esquina do corso Vittorio Emanuele II com o corso Re Umberto, no Platti encontram-se épocas diferentes. Na confeitaria restam móveis de madeira, vitrines e decorações de gosto oitocentista; nas outras salas, espelhos, estuques e detalhes ornamentais das primeiras décadas do século XX, quando foram renovadas.

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    A história começou em 1870 com a licoreria Principe Umberto, assumida depois pelos irmãos Ernesto e Pietro Platti. Com o tempo o café se tornou um dos lugares de encontro da cultura turinense.

    Também a doceria tem a sua especialidade: a Torta Platti de chocolate, preparada com uma receita que a casa mantém reservada.

    Luigi Einaudi, Natalia Ginzburg, Mario Soldati e Erminio Macario: os nomes ligados ao Platti vêm da política, da cultura e do espetáculo.

    Gostamos dessa mistura, porque as diferentes salas do lugar contam uma vida de café que não era reservada a uma única categoria social ou profissional. Era possível encontrar-se com pessoas que pertenciam a ambientes diversos, da literatura à vida pública. E é também essa variedade de frequentadores que torna interessante a história do Platti.

O percurso

O mapa carrega após o consentimento para conteúdos de terceiros (OpenStreetMap).

Estas são as etapas essenciais, mas há muito mais

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